sábado, 6 de agosto de 2011

goin’ down

Ontem à noite eu escutei nossa música. E tive medo de que fosse a última vez que tivesse coragem de escutá-la.
Eu sentei em um lado da cama. Quieta. Silenciosa. E deixei minha alma e coração desaguarem tudo o que podiam.
Eu olhei para as minhas duas mãos e vi tudo o que elas não podiam fazer. Vi em mim a minha incapacidade e grande falha.
Vi que eu era tão culpada, tão culpada e tão sem culpa ao mesmo tempo. E vi que me machucar não iria fechar a ferida feita por outra pessoa.
Então eu fechei meus olhos. E fui até o meu coração. Procurar falhas em cada um dos seus milímetros e curvas.
Olhei para seu interior e vi quão frágil era. Um coração com estrutura assim revela rachaduras de uma pessoa sem defesas e substituível.
Eu abri os olhos e olhei para as minhas mãos de novo. Elas eram as únicas que podiam me tocar e enxugar minhas lágrimas naquele momento.
Comecei a procurar em meu corpo cada defeito fisicamente visível. E eu amaldiçoei a todos. Assim como o fato de que nunca poderei ser perfeita.
Eu fui até minha mente, procurar uma saída. Vi que eu estava em branco, desconcertada, desordenada. Vi que eu era o mais lindo poema. Que foi acidentalmente apagado pelo seu próprio poeta.
Então eu afaguei meu cabelo pouco admirado. Minhas mãos tocaram meu rosto e encolhi as pernas.
E chorando com medo, abracei a mim mesma.
Senti os meus braços, incapazes de abraçar quem eu amo. E vi que minhas lágrimas estavam longe daqueles que as deveriam enxugar.





06/08

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