segunda-feira, 22 de maio de 2017
nowhere is a place
As grades da minha varanda têm um propósito
É a fumaça que me desacelera agora
Me diga pra não voltar
Não voltar mais lá
Me diga pra parar
O que estou fazendo
Eu não bebo como você, me deixe fumar
Coisa que eu nem fazia
Me deixe pensar
Olhando o dia amanhecer
Me deixe bem, me diga pra não voltar
Eu não tenho, nunca tive sorte
Como você
Diga que não vou estar
Eu tenho seus olhos agora
Sem me machucar
Tanto assim
Para K. D.
out
Eu tenho que tomar vacina
Mas vacina dói
Já faz um tempo
E não doeu tanto assim
Vai começar a doer muito mais agora
Pra depois não doer mais
Eu tenho que tomar sua vacina
Fraco e perdido
Mas tomar vacina dói
Machucar pra curar
Não funciona comigo
sexta-feira, 28 de abril de 2017
🐈
Gosto de você
Tudo foi bom.
Deixo-te com saudade
Deixo-te com vontade de ficar e voltar
E te prender perto de novo
Do teu riso
De cheirar sua nuca enquanto dorme
Gosto de você, gatinho
Tudo foi bom
E não há nada sequer que posso agora reclamar.
Todos os presentes
Orelhas de gato e flores no cabelo
Todas as noites e dias
Banhos e passeios
Tudo foi bom
Toda a espera e chegada
Toda chuva e despedida
Tristeza e alegria
Teu cheiro e cabelo que amo de verdade
Tudo o que ficou aqui em toda parte
Tudo foi bom.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
morada [texto temporário]
Eis que andando pela casa de ninguém
Achei no meu cangote uma casa abandonada
Seu antigo morador havia partido
Distinto inquilino
Que batia na porta de manhã e me acordava.
Não sei seu novo endereço
Quais os paradeiros
Se vive perambulando perdido sem rumo
Caso esteja me ouvindo:
Não derrubei tua casa.
Se eu deixar tua porta fechada
Pule pela janela.
sábado, 10 de dezembro de 2016
incógnita
Aonde diabos eu me meti?
Em que buraco, que viela?
Você me viu por aí?
Desde aquele domingo que eu não tenho mais nome
Faz algumas semanas que eu não sei quem eu sou
Bagunçou meu coração por uns dias e foi embora
Eis-me aqui agora
Tentando cortar os pulsos do amor
Eu que sou louca
Que ri e que chora
Eis-me aqui agora
Já nem sei mais quem sou
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Tereza
Já fostes verde folha hoje és azul mar
E de tantos, quantos planos
Já nem sei em que plano estás
Talvez o céu se abra de novo em cores pra você se encontrar
E detrás da cortina de estrelas
espiando vou estar
És linda assim menina avoada
Me tece na barra da tua saia
Me leva do começo ao fim
Que hoje estou que nem tu
Só poesia
Estrela Tereza
domingo, 6 de novembro de 2016
light [texto temporário]
Das vezes que me ouvi cantar de novo
Atribuí a você
E das vezes que esqueci do desenho
Da tristeza [no fundo da gaveta]
Eu poderia te chamar de universo de tão imenso que tu és.
E eu, profunda
Abismo em pessoa
Texto em construção.
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