terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ossos do ofício

 
 
Sr. psicólogo, sou poetisa.

Não sou tão leiga
como achas que sou.
Sei o que é paixão
Sei o que é amor
Sei todos os sintomas
Só desconheço fármacos
que melhorem o prognóstico
porque NÃO HÁ.
Fique tranquilo em relação a mim.
 
   

domingo, 16 de agosto de 2015

Ensaio sobre a tristeza

   
    Por estar ciente de todos os meus complexos e vícios, cito a [à] tristeza, mãe de todos os meus textos, a qual nunca prometi amor mas insiste em não me deixar. E que em todo escrito de saudade está, nem que seja em quantidade mínima. Porque saudade nunca vem ou está sozinha. Mas uma melhor análise disso fugiria do propósito.
    Sem possível análise minuciosa, já que estou aqui sendo objeto do meu próprio estudo, tenho notado sua origem em alguns momentos em que me ponho a pensar demais. Sendo outros complexos meus contribuintes para este atual [e portanto mais abrangente], o qual notei que tornou-se vicio a partir do ponto em que não me permito passar muito tempo segura de que está tudo bem [ou estará tudo bem]. Privo-me da companhia da felicidade, com medo de que ela apareça. Um medo de lançar-me de corpo e mente no abismo do não sentir medo. Medo do acabar. Formando assim um ciclo vicioso onde ela, desde o início, está comigo. Sozinha, triste ou feliz, está. E quando me satura, enjôo e choro. Por motivo grande ou pequeno, ela está aqui. E sua constante presença acabou por me tornar sentimentalmente inconstante.
   

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Diagnosis


     Hipótese diagnóstica Paixão crônica.
     Caracterizada por longo período de evolução.
     Perturbação psicológica persistente.
     Trauma sistêmico aparente.
     Fator etiológico ausente.
     Apresentando sintomatologia dolorosa.
   
 
Diagnosis ou Report ou Pathology. Escrito em 13/04/15
   
   

sexta-feira, 15 de maio de 2015

similarity [texto temporário]

 
Reviro tuas fotos teu passado,
menina
Pra saber o que há de tão especial em ti
Pra saber como foi o que não fui

E você é apenas mais uma
Menina
Que persigo loucamente
Vago sozinha
Viajo por datas
Amores, entrelinha
Pra saber se o que se passou contigo
Comigo
Foi algo parecido.

   

sábado, 11 de abril de 2015

my fault

 
 
E apesar de tudo
Permaneço
Imutável, imóvel: aceito
A dor que ninguém nunca entende
Se não entendeu até agora
Aparentemente
Nunca vai entender

Meu erro
Ponto fraco
Se estende por tempo
E caminho vastos

domingo, 5 de abril de 2015

null



Não ganharás mais de mim presentes caros
Que me custem pedaços
Como os que te dou [toda vez que aqui vens ler]
E pelo teu desconhecido motivo
Talvez prazer particular, te digo:
Prospere em tua solitária felicidade.

Eu
Que para ti nada fui
Em consequência nada posso exigir de ti
Finalizo esta e próximas edições
O texto acaba aqui.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

time shift [texto temporário]

  
   
  
                     Preciso parar de notar tuas estatísticas
                     Viver calculando tuas probabilidades
                     Já estou esquecendo de teus horários
                    Após parar de compensar tuas horas de atraso.